

Eletroporação Irreversível (IRE) — Terapia Focal do Cancro da Próstata
NANOKNIFE is the name of the equipment with which the treatment is carried out using the Irreversible Electroporation (IRE) technique.
It is a technology approved by the FDA and CE since 2006.
O Que É a Eletroporação Irreversível (IRE)?
The cell destruction mechanism is based on the creation of a strong pulsed electric field, lasting for minute fractions of a second, which cause the opening of "pores" in the cells. It is the organism's own defenses that will end up cleaning these cell residues in a process called Apoptosis.
Cell selectivity
It only induces cell death, eliminating malignant cells and not affecting the supporting structures of tissues, such as fibers, collagen, vessels and nerves.
Well-defined limits
The boundary between treated and untreated areas in other treatments is sometimes somewhat blurred. The IRE demarcates a border of just a few microns.
No scars
Because the mechanism of destruction is natural: Apoptosis, the induction of inflammation or scarring is minimal.
What occurs is a regeneration of normal cells in the target zone. This means less discomfort and the possibility of repeating the treatment as many times as necessary.
Speed and single session
Done under general anesthesia. It lasts approximately 1 hour. Hospitalization less than 24 hours.
Multipurpose
It allows not only to treat cases of primary disease but also cases of failure of other treatment modalities.
Immune response
During treatment, intact tumor proteins are exposed to the immune system, which will increase the body's ability to react and fight the disease.
In other treatments, heat, ice or radiation destroy proteins, with no efficient immune response (in study).
Como Se Realiza o Procedimento IRE
Planeamento
O tratamento começa semanas antes com uma ressonância magnética
multiparamétrica (mpRMI) da próstata, seguida de biópsia de fusão para
confirmar a localização e extensão exactas do tumor. Com base nestas imagens,
o Dr. Sanches Magalhães planeia digitalmente a posição dos elétrodos e os
parâmetros eléctricos que definem a zona de ablação.
O procedimento
No dia da intervenção, o doente é submetido a anestesia geral. São inseridos
por via perineal (entre o escroto e o ânus) quatro a seis elétrodos de agulha
fina, guiados por ecografia transrectal em tempo real e por fusão com as
imagens de ressonância pré-operatória. Uma vez confirmado o posicionamento
correcto, são emitidos os impulsos eléctricos de alta voltagem que destroem as
células tumorais. A sessão de ablação propriamente dita dura entre 20 e 40
minutos.
Recuperação
Após o procedimento, o doente permanece em observação durante algumas horas. A
grande maioria tem alta no próprio dia ou na manhã seguinte. É colocada uma
sonda urinária durante horas ou poucos dias para proteger a uretra durante a fase de
cicatrização inicial. A retoma das atividades quotidianas ocorre tipicamente
ao fim de uma semana, e a retoma da atividade sexual é esperada entre as 4 e
as 8 semanas. O seguimento inclui RM precoce: nos primeiros 10 dias,PSA aos 3 e 6 meses, e nova ressonância magnética de controlo ao ano.

Comparação dos quatro tratamentos do cancro da próstata localizado. Fontes: HIFI Trial (European Urology, 2024), PRESERVE Trial (European Urology, 2026), ProtecT Trial (NEJM), NeuroSAFE PROOF (Lancet Oncology,
2025), EAU Guidelines 2026.
.
Para uma perspectiva clínica complementar, consulte também a página do Dr. Sanches Magalhães sobre Eletroporação irreversível (IRE)
Resultados Clínicos — O Que Dizem os Estudos
O estudo PRESERVE, ensaio clínico prospectivo multicêntrico que sustentou a
autorização da FDA em dezembro de 2024, demonstrou que a IRE atinge controlo
oncológico sustentado em doentes com cancro da próstata de risco baixo a
intermédio, com uma taxa de ausência de recorrência significativa ao follow-up
de 2 anos. Mais relevante para a qualidade de vida dos doentes, o estudo
documentou uma preservação da função eréctil superior a 80% e uma taxa de
incontinência urinária clinicamente significativa inferior a 2% — resultados
claramente superiores aos da prostatectomia radical ou radioterapia de campo total.
O crescente reconhecimento internacional da IRE é evidenciado pelo facto de o
Dr. Sanches Magalhães ter sido convidado como mentor de procedimentos em
Atenas desde setembro de 2024, contribuindo para a disseminação da técnica na
Europa. A EAU integra a terapia focal nas suas diretrizes de 2024 e 2025 como
opção válida para doentes selecionados, recomendando que os procedimentos
sejam realizados em centros com experiência específica e programa de
seguimento estruturado — critérios que o Instituto de Terapia Focal da
Próstata satisfaz integralmente.
Para além dos resultados oncológicos, os estudos sobre IRE demonstram
consistentemente uma preservação superior da qualidade de vida
comparativamente aos tratamentos convencionais. A manutenção da função sexual
e da continência urinária traduz-se em impacto psicossocial significativamente
menor — um factor cada vez mais valorizado nas decisões terapêuticas
partilhadas entre médico e doente.
Quem Pode Beneficiar da IRE?
A IRE é indicada para doentes com cancro da próstata localizado de risco baixo
a intermédio, confirmado por biópsia de fusão guiada por ressonância
magnética, com tumor unilateral ou com envolvimento limitado a menos de 50% da
glândula. São candidatos ideais homens que pretendam preservar a função
eréctil e a continência urinária, e que prefiram evitar os efeitos secundários
associados à prostatectomia radical ou à radioterapia.
A IRE é também uma opção válida para doentes com recorrência local após
radioterapia externa ou braquiterapia, nos quais a prostatectomia de resgate
apresenta riscos cirúrgicos elevados e a repetição de radioterapia é
frequentemente impossível. Nestes casos, a IRE oferece uma alternativa eficaz
e segura, sem as restrições impostas pela fibrose pós-actínica.
Doentes com doença metastática ou com envolvimento ganglionar confirmado não
são candidatos a terapia focal. Alguns casos de risco muito baixo poderão ser
mais adequadamente geridos por vigilância activa. A decisão terapêutica é
sempre individualizada, com base na discussão multidisciplinar e na
preferência informada do doente. O Dr. Sanches Magalhães dedica a consulta
inicial à análise detalhada de todos os exames e à apresentação das opções
mais adequadas para cada caso.


Perguntas Frequentes Sobre a IRE
01
Quais os efeitos secundários da IRE?
Os efeitos secundários mais comuns são transitórios: desconforto perineal
ligeiro nos primeiros dias, hematúria (sangue na urina) ligeira na primeira
semana e dificuldade urinária temporária durante o período com sonda. Efeitos
secundários graves, como disfunção eréctil permanente ou incontinência
urinária, são raros — o estudo PRESERVE documenta taxas inferiores às de
qualquer outra modalidade de tratamento activo do cancro da próstata.
03
A IRE pode ser repetida?
Sim. Caso os exames de seguimento revelem recorrência ou progressão após um
primeiro tratamento com IRE, o procedimento pode ser repetido, tanto na mesma
zona como noutro sector da próstata. Esta flexibilidade é uma vantagem
relevante face a tratamentos que esgotam as opções futuras, como a
radioterapia de campo total.
05
Quanto tempo demora a recuperação após IRE?
A maioria dos doentes tem alta no próprio dia ou no dia seguinte ao
procedimento. A sonda urinária é removida ao fim de 5 a 7 dias. A retoma das atividades quotidianas normais ocorre tipicamente ao fim de uma semana. A retoma da atividade sexual é habitualmente possível entre as 4 e as 8 semanas após o tratamento, dependendo da localização e extensão da ablação.
02
Posso fazer IRE se já fiz radioterapia?
Sim. A IRE é uma das poucas técnicas de ablação que pode ser realizada com
segurança em tecido previamente irradiado. Em casos de recorrência local após
radioterapia, a IRE constitui uma das opções de resgate mais bem documentadas,
evitando os riscos da cirurgia em campo fibrótico.
04
A IRE é aprovada oficialmente?
Sim. A FDA norte-americana autorizou a IRE para o tratamento do cancro da
próstata localizado em dezembro de 2024, com base no ensaio clínico PRESERVE.
A Associação Europeia de Urologia (EAU) reconhece a terapia focal, incluindo a
IRE, nas suas diretrizes clínicas. Em Portugal, o procedimento é realizado no
âmbito de prática clínica especializada, em centro com experiência específica
nesta tecnologia.
06
Qual a diferença entre IRE e HIFU?
Tanto a IRE como o HIFU são técnicas de terapia focal minimamente invasivas, mas funcionam por mecanismos completamente distintos. O HIFU utiliza ultrassons focados para destruir células por calor (temperatura superior a 80°C), enquanto a IRE utiliza campos eléctricos pulsados sem efeito térmico. A principal consequência prática é que a IRE pode tratar com segurança zonas junto à uretra, ao colo vesical e aos feixes neurovasculares, onde o HIFU não
actua sem risco de dano permanente. A IRE é também a única opção de terapia focal validada para tratamento de resgate após radioterapia. Consulte a nossa página de faq para mais comparações entre técnicas.
REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
1. Valerio M, et al. "Irreversible electroporation of the prostate gland: a
systematic review of the literature." Journal of Clinical Medicine, 2022.
PMID: 35566004
2. Stabile A, et al. "Non-thermal ablative technologies for localised prostate
cancer: a systematic review and meta-analysis." European Urology Focus, 2021.
DOI: 10.1016/j.euf.2020.09.001
3. EAU Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology, 2025.
uroweb.org/guidelines/prostate-cancer
4. PRESERVE Trial. "Pivotal Study of Irreversible Electroporation for the
Treatment of Prostate Cancer — FDA submission data." AngioDynamics / FDA,
dezembro 2024.
5. Blazevski A, et al. "Oncological and functional outcomes of irreversible
electroporation (IRE) as focal therapy for localized prostate cancer." BJU
International, 2020. DOI: 10.1111/bju.14985

Sobre o autor
Dr. José Sanches Magalhães é Médico Especialista em Urologia e Assistente Graduado de Urologia no Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto), com mais de 20 anos de experiência em urologia oncológica. É fundador e diretor do Instituto de Terapia Focal da Próstata, no Porto, e pioneiro em Portugal na Eletroporação Irreversível (IRE/NanoKnife) aplicada ao cancro da próstata.
Já realizou três sessões de mentoria em IRE em Atenas (Athens Medical Center e Metropolitan General Hospital) — reconhecimento internacional do seu domínio da técnica e do seu papel como formador de outros urologistas. É autor de publicações científicas em urologia oncológica.
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